Banco com mais mulheres na chefia tem melhores resultados, diz FMI
Data: 21-09-2018 | Publicado por: UGT - Paraná

Banco com mais mulheres na chefia tem melhores resultados, diz FMI

Faltam dados sobre diversidade na governança financeira; só 2% têm presidência feminina (Ana Estela de Sousa Pinto)
Bancos com maior porcentagem de mulheres na chefia ou no conselho são mais resilientes e estáveis: apresentam melhores indicadores de “colchão financeiro” em relação à volatilidade de seus ganhos.
O mesmo acontece, em menor escala, em países nos quais os órgãos reguladores do setor bancário têm maior proporção de mulheres, mostra estudo recém-publicado pelo Fundo Monetário Internacional.
A análise feita pelo FMI controla os resultados por outras características que poderiam afetar o desempenho dos bancos, como tamanho, tipo de atuação, experiência dos conselheiros e desempenho da economia nos países em que estão sediados, entre outros.
Foram estudados 800 bancos em 72 países, de 2001 a 2013, no caso dos conselhos, e 115 países, de 1999 a 2017, no caso das agências reguladoras.
O trabalho do FMI mostra uma correlação —quanto mais mulheres, mais estabilidade—, e não uma relação de causa e efeito.
O órgão, no entanto, sugere duas hipóteses mais prováveis para os resultados, com base em pesquisas da área. O primeiro é o de que conselhos com diversidade de pontos de vista têm melhor desempenho que os homogêneos.
O segundo é que, por causa do preconceito, os obstáculos para mulheres no setor financeiro são maiores, e as que conseguem superá-los são mais qualificadas e eficientes que seus pares masculinos.
Outra explicação possível é que as instituições com maiores taxas de mulheres em suas estruturas de decisão já eram mais bem gerenciadas —a inclusão seria um dos indicadores desse potencial mais alto.
O FMI observa que faltam dados sobre diversidade na governança financeira, e os disponíveis mostram presença feminina aquém da desejada nas chefias dos bancos: elas são apenas 2% dos CEOs (chefiam 15 dos 800 bancos analisados) e 20% dos conselheiros.
É uma representação que não encontra sustentação na quantidade de mulheres qualificadas disponíveis para as funções: mulheres são 30% das graduadas em economia e 50% das graduadas em negócios, segundo estudo do Credit Suisse citado pelo FMI.
O órgão defende que aumentar a igualdade entre gêneros pode beneficiar os próprios bancos —pesquisas indicam maior rentabilidade naqueles com mais diversidade— e a economia como um todo.
Segundo o estudo do FMI, bancos da América Latina não evoluíram na inclusão de mulheres nas chefias: o continente tem a menor porcentagem feminina nos conselhos, de aproximadamente 2% em 2013, praticamente imutável em relação a 2011.
O trabalho não detalha os resultados por país, mas informações dos bancos brasileiros mostram que o país não é exceção.

Há uma mulher entre os 12 conselheiros do maior banco do país, o Itaú Unibanco, e nenhuma entre os 7 membros do conselho do Banco do Brasil. Dos 8 conselheiros apresentados no site de relações com investidores do Bradesco, 1 é mulher.
Já no Santander, são duas conselheiras entre os 10 membros do conselho.
Reportagem da Folha mostrou em 2017 que a porcentagem feminina vai sendo reduzida conforme se sobe na hierarquia dos bancos.
Mulheres ocupam 2 dos 39 cargos de diretoria executiva do Itaú —há uma mulher entre os 30 diretores executivos e uma entre os 6 vice-presidentes— e representam 3 dos 19 membros da diretoria executiva do Bradesco. No Banco Do Brasil, não há mulheres na presidência nem na vice-presidência, que, somadas, têm 10 vagas. No nível de diretoria, há 2 mulheres entre 27 postos.
Na diretoria executiva do Santander, são 3 mulheres num total de 34 diretores.
O estudo do FMI também investigou se a presença de ao menos uma mulher no conselho estaria relacionada a bancos mais estáveis: “Todo o resto constante, bancos com presença feminina no conselho apresentam desempenho melhor e mais segurança e estabilidade”, diz o relatório.

METODOLOGIA

Para estimar a correlação entre a presença de mulheres e a estabilidade dos bancos, o FMI levou em conta a "distância do risco" ("distance-to-distress", em inglês, também conhecido como z-score).
Esse indicador indica o colchão financeiro (ativos + retorno sobre ativos) ponderado pela volatilidade de retornos (desvio padrão dos retornos).
Uma maior distância do risco significa que os colchões financeiros dos bancos são maiores em relação à volatilidade de seus ganhos.
Para dar mais segurança às estimativas (robustez), o estudo usou também outros indicadores de estabilidade, como a distância do risco baseada no valor de mercado.

Post Mario de Gomes
Em 21/09/2018
Fonte: Folha.com
Foto: arquivo UGT

Secretário de Comunicação UGT-PARANÁ
João Riedlinger